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terça-feira, 13 de março de 2012

Martha Rocha transfere 17 delegados, incluindo diretor da Core

Caveirão quebrado ajudou a motivar transferência de delegado da Core Caveirão quebrado ajudou a motivar transferência de delegado da Core Foto: Custódio Coimbra/Agência O globo

Marcos Nunes

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Com uma única canetada, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, transferiu 17 delegados. As mudanças foram publicadas, sexta-feira, no boletim interno da instituição. Entre os que perderam o lugar está o delegado Marcus Castro, diretor da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Ele foi transferido para à 79ªDP (Jurujuba). A saída de Marcus Castro, remanescente da administração do ex-chefe de Polícia Civil, delegado Alan Turnowiski , estava sendo especulada há alguns meses. A gota d'água, que ajudou a provocar a mudança, ocorreu no fim de fevereiro. Na ocasião, um policial da Core foi baleado em Manguinhos e ficou 50 minutos perdendo sangue, já que os dois blindados da tropa estavam parados por falta de manutenção. Para o lugar de Castro, Martha Rocha escolheu um delegado de sua confiança. Ricardo Barboza, que estava na 41ªDP (Tanque), é o novo diretor da Core. Em setembro do ano passado, a chefe de Polícia Civil determinou que Barboza, então lotado na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), assumisse o caso Juan, após o delegado Cláudio Nascimento, da 56ª DP (Comendador Soares), ser exonerado e afastado das investigações.

Com a chegada de Barboza, quatro PMs apontados como responsáveis pelo desaparecimento e morte do menor foram presos. Outra mudança foi a saída do delegado Rodrigo Oliveira, que deixou à 10ªDP (Botafogo). Rodrigo, que já foi subchefe de polícia operacional, pediu para ser exonerado. Ele vai assumir o Gabinete Institucional de Segurança do prefeito Eduardo Paes. Em nota, a assessoria de Polícia Civil informou que " as mudanças de delegados acontecem com frequência, e que se trata de uma decisão administrativa". A nota também diz que as "trocas que ocorreram, na Core e Cinpol, foram feitas para oxigenar as gerências".

A exemplo da Core, a Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) também tem um novo titular. O delegado Fabiano Gama deixou à 19ªDP (Tijuca) e tem a missão de renovar o serviço de inteligência da corporação. Ele substitui a delegada Andréa Nunes Menezes, transferida para a 10ªDP, e que como Marcus Castro, também pertenceu a administração anterior a de Martha Rocha.

Quem assume a 19ªDP é o delegado Roberto Gomes Nunes. A delegada Marta Cavalliere saiu da 66ªDP (Piabetá) e assume a vaga deixada por Ricardo Barboza na 41ªDP. A delegada Leila Goulart assumiu a Delegacia de Fiscalização de Armas e Explosivos, que estava sem titular. Já Patrícia de Paiva Aguiar, que era delegada adjunta da 29ª DP (Madureira), é a nova titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, de Belford Roxo. Ela substitui a também delegada Soraya Vaz de Sant'Anna, que foi para à 66ªDP (Piabetá). Confira abaixo o quadro completo com todas as mudanças.

Delegada Andrea Nunes da Costa Menezes - Deixou o Cinpol e foi para à 10ªDP (Botafogo)

Delegado Roberto Gomes Nunes - Transferido para 19ªDP (Tijuca)

Delegada Marta Isabel Cavalliere - Saiu da 66ªDP e foi transferida para 41ªDP (Tanque)

Delegado Ícaro Silva - Transferido para 51ªDP (Paracambi)

Delegado José de Mortes Ferreira - Transferido para 57ªDP (Nilópolis)

Delegado Felipe Lobato Curi - Saiu da 51ªDP (Paracambi) e assume 60ª DP (Campos Elíseos)

Delegado Robson da Costa F. da Silva - Transferido da 60 ªDP (Campos Elíseos) para a 65ªDP Magé)

Delegada Soraya Vaz de Sant’Anna - Saiu da Deam/Belford Roxo e assume a 66ªDP ( Piabetá)

Delegado Marcus Castro Nunes Maia - Deixou a Core e foi transferido para 79ªDP (Jurujuba)

Delegado Marcos Galdino Balbi El-Jaick - Saiu da 158ª DP (Bom Jardim) e foi transferido para 53ªDP (Mesquita)

Delegado Hugo Werneck Campos - Deixou a 53ªDP (Mesquita) e foi para 158ªDP (Bom Jardim)

Delegado Nilton Fabiano Lessa Gama - Deixou a 19ªDO (Tijuca) e assume a Cinpol

Delegado Ricardo Barboza de Souza - Saiu da 41ª DP (Tanque) e foi transferido para a Core

Delegada Patrícia Paiva de Aguiar - Saiu da 29ª DP (Madureira) e foi para Deam/Belford Roxo

Delegada Leila Goulart - Assume a Delegacia de Fiscalização de Armas e Explosivos

Delegado João Carlos Silva Barcelos - Transferido para a 7ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Friburgo)

Delegado Rodrigo Teixeira de Oliveira - Assume o Gabinete Institucional de Segurança da prefeitura do Ri

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/martha-rocha-transfere-17-delegados-incluindo-diretor-da-core-4283757.html#ixzz1ozmE61eR

Treze bombeiros envolvidos em movimento grevista são expulsos

Policiais e bombeiros do Rio fazem assembleia na Cinelândia para discutir se entram em greve nesta sexta-feira Policiais e bombeiros do Rio fazem assembleia na Cinelândia para discutir se entram em greve nesta sexta-feira Foto: Marcelo Piu / O Globo

O Globo

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RIO - Treze bombeiros envolvidos no movimento grevista que terminou com pelo menos nove presos em fevereiro passado foram expulsos da corporação. De acordo com a nota divulgada pelo Comando-geral do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), eles foram considerados 'culpados por articulação em manifestações de caráter político-partidário, nas quais incitaram ostensivamente a tropa à prática de ilícitos de natureza disciplinar e penal militar, além da adoção de conduta incompatível com a missão de Bombeiro-militar'.

Entre os bombeiros expulsos está o cabo Benevenuto Daciolo, um dos principais líderes do movimento. Ele foi preso no mês passado, acusado de incitamento à greve e aliciamento para motim. O militar estava na Bahia, onde ocorria outro movimento grevista, e foi detido ao desembarcar no Rio de Janeiro. O bombeiro teve a prisão administrativa decretada depois da divulgação de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça que o mostravam conversando com uma deputada sobre estratégias para a realização de atos grevistas no estado.

Entre 2007 e 2010, Daciolo trabalhou na Alerj e foi do gabinete da ex-deputada estadual Beatriz Santos, do PRB, na época aliada do ex-governador e hoje deputado federal Anthony Garotinho (PR). A deputada não conseguiu se reeleger e, em fevereiro de 2011, Daciolo acabou exonerado. Semanas depois, ele foi preso por estar entre os líderes do movimento do corpo de bombeiros que ocupou o quartel central da corporação.

Em nota, o movimento de bombeiros afirma que soube pela imprensa da expulsão dos militares, e que as medidas judiciais cabíveis serão tomadas:

"O movimento sempre foi pacífico e ordeiro, pela dignidade, e sempre foi pautado pela busca por diálogo e entendimento. Lembramos que estes 13 pais de família foram presos em Bangu 1, em presídio, de forma arbitrária e ilegal, mantidos em celas de 2mx2m durante sete dias", diz trecho da nota.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/treze-bombeiros-envolvidos-em-movimento-grevista-sao-expulsos-4292246.html#ixzz1oznFMIKd

domingo, 4 de março de 2012

RJ: SSP fala sobre a PEC 300 e UPPs - Sem caixa, para Beltrame, a PEC300 não seria cumprida em vários estados

 

José Mariano Beltrame é uma unanimidade. À esquerda e à direita, sobram elogios ao trabalho de pacificação das favelas cariocas. Ironicamente, Beltrame ganhou notoriedade ao trocar o velho discurso da ordem por conceitos de cidadania. Após a instalação de 19 UPPs no Rio de Janeiro, o delegado reafirma a opção. Segundo ele, só o atendimento das demandas sociais dos moradores vai garantir uma paz duradoura. Na entrevista a seguir, Beltrame diz que a aprovação de um piso salarial nacional para os policiais causaria problemas em vários estados, acha difícil uma discussão sobre o direito de greve dos PMs e nega qualquer intenção de disputar uma eleição. “A polícia me moldou de uma forma muito rigorosa. É preciso na vida flexibilizar, mas acho que a política flexibiliza demais.”
CartaCapital: Como o senhor vê as manifestações de policiais de todo o Brasil pela aprovação da PEC 300, que estabelece um piso salarial nacional para a categoria?

José Mariano Beltrame: A PEC 300 está baseada na realidade da polícia do Distrito Federal, que tem bons salários. Mas quem paga por aquela polícia é a União e não os estados. Se o Congresso aprovar, tenho certeza de que a maioria dos governos estaduais não vai poder pagar. Os governadores vão provar facilmente que não têm caixa para isso. Mais uma vez, o policial vai se frustrar, por ver uma iniciativa aprovada e não executada. Um país do tamanho do nosso, com 27 polícias diferentes e realidades diversas, tem de ampliar essa discussão. Acho que é possível estabelecer um piso salarial, mas o valor mínimo do Acre não pode ser o mesmo do Rio Grande do Sul ou Rio de Janeiro.

CC: Como o governo federal poderia ajudar os governadores nesse assunto?

JMB: A questão salarial das polícias é competência dos estados. O que não impede a União de criar mecanismos para ajudar. O Pronasci era um pouco isso. Havia bolsas de incentivo à formação dos policiais. O ministro anterior acenou com a bolsa Copa e a bolsa olímpica, gratificações que o governo federal daria até o evento e dali para a frente o estado assumiria. Essas não foram em frente e as bolsas formação estão praticamente no fim. No Rio, tínhamos cerca de 30 mil policiais no programa e a gratificação equivalia a mais de metade do salário. Essa perda salarial também influiu nessas últimas manifestações.

CC: O que o senhor acha da reivindicação de direito de greve para os policiais?

JMB: Não vejo problema em discutir. Mas veja: pela Constituição, as polícias são militares e civis. As polícias militares do Brasil querem continuar assim, não vejo reivindicação para mudar esse aspecto. E os militares têm um regime disciplinar todo especial. Não se pode tratar um policial militar pelo regime disciplinar civil.

CC: Quando assumiu a secretaria, o senhor repetia muito a palavra “ordem” nas entrevistas e agora fala mais em “cidadania”. O que mudou?

JMB: Não mudou nada. Não existe cidadania sem ordem. Havia no Rio um discurso cínico de que a prefeitura e o estado não podiam entrar em determinadas áreas porque havia o domínio dos criminosos. Agora os prestadores de serviço podem entrar e levar a cidadania, porque a ordem foi restabelecida.

CC: Qual a importância dessa ação social para o sucesso das UPPs?

JMB: Sempre digo que a polícia não vai fazer a pacificação sozinha. É aquela velha regra: quanto mais demandas sociais eu atendo, menos polícia eu preciso. O sucesso das UPPs depende fundamentalmente da entrada dos serviços sociais nessas áreas. Esse é o grande segredo. A polícia está lá abrindo uma porta para que aquelas pessoas sejam atendidas, para que o restante da sociedade pague a dívida de décadas com elas. Acabamos entregando ao prefeito e ao governo do estado uma cidade maior para tomar conta. Acho que a sociedade acordou para isso, embora as ações sociais ainda não estejam sendo implantadas na velocidade ideal. Mas isso é um processo em andamento.

CC: Por que usar as Forças Armadas para fazer o trabalho de polícia, como acontece no Complexo do Alemão, se isso não está previsto na Constituição?

JMB: É preciso colocar tudo num contexto. Houve focos de incêndio no Rio logo após a reeleição (do governador Sérgio Cabral). O serviço de inteligência nos relatou que aquilo seria uma reação à permanência da política de segurança. Diante daquela situação de emergência, apuramos que o centro da ação era a Vila Cruzeiro. Teríamos de entrar lá. Mas se iríamos para o confronto, o ideal seria entrar e permanecer na região. Pelo nosso planejamento, não teríamos, porém, efetivo para manter a área ocupada. Aí surgiu a oportunidade de o Ministério da Defesa ajudar.

CC: Não acha um precedente perigoso?

JMB: É uma excepcionalidade, uma construção do ex-ministro Nelson Jobim, que criou uma Operação Garantia da Lei e da Ordem (GLO) específica para o caso. Antes, as Forças Armadas estavam no comando e o verbo “comandar” era usado em sua acepção. Agora, não temos lá o Exército e sim uma força de pacificação, formada pelo Exército, policiais militares e uma delegacia de polícia.

CC: O efetivo do Exército é bem maior.

JMB: Sim, eles têm 2 mil soldados e nós temos 200 policiais militares. Mas acredito que o próprio Exército não tem interesse de permanecer nessa função. Está visto por todos que a Segurança Pública é algo muito complicado. De todo modo, agora em março, o Exército começa a sair de lá e até junho não teremos mais as Forças Armadas no Alemão.

CC: O senhor pretende instalar 40 UPPs até o fim deste mandato. Os recursos financeiros para isso estão garantidos?

JMB: Temos apoio privado específico para as UPPs. O empresário Eike Batista investe 20 milhões por ano. Ele não nos dá dinheiro. Nós entregamos projetos para ele, que contrata os serviços, faz o que é necessário e nos dá a chave. Temos também parceiras como a Firjan, o Sesi, a Light… O projeto das UPPs não envolve grandes custos, é preciso apenas recursos para contratar policiais e manter uma folha de pagamento.

CC: Como avalia o problema das milícias?

JMB: É algo que me preocupa mais que o tráfico, por ser formado por policiais. Apesar de serem crimes diferentes, o enfrentamento das milícias segue a mesma lógica do combate aos traficantes. É preciso fazer a reconquista do território. À medida que o Estado recupera essas áreas tomadas pelo crime, tanto traficantes quanto milicianos perdem a força.

CC: Sua popularidade tem rendido convites para concorrer como candidato em eleições futuras?

JMB: Não tenho interesse em política. A polícia me moldou de uma forma muito rigorosa. É preciso na vida flexibilizar e eu estou aprendendo a ser flexível. Mas eu acho que a política flexibiliza demais. É algo que me faria sofrer.

fonte: Carta Capital

FONTE: http://policialbr.com/profiles/blogs/rj-ssp-fala-sobre-a-pec-300-e-upps?xg_source=msg_mes_network#ixzz1oB0oX4pD
http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/legalcode
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